Onde tudo começou...

Minha aventura inicia agora... a primeira vez que estou criando e postando num blog... essa iniciativa não aconteceu por conta própria... A responsável é minha professora... Loiva
A história começa quando numa aula de Psicologia e Políticas Públicas, que está acontecendo agora nas férias, minha professora decide que uma das nossas avaliações finais seria a criação de um portfólio... seja em papel... ou através de um blog.... o detalhe... essa disciplina vai acontecer em duas semanas... um intensivo... 5 horas de aula... de segunda a sábado.... vamos ver como vai acabar essas história... daqui a alguns dias....

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Décima Aula - última aula

Hoje é nossa última aula a para fechar com chave de ouro visitamos o CRP para conversar com a Silvia que é a pessoa encarregada do CREPOP (Centro de Referencia Técnica em Psicologia e Políticas Públicas), para que pudéssemos conhecer as funções deste e discutir sobre a função do Psicólogo na educação.

Para iniciar a Silvia fez uma apresentação breve sobre o CREPOP relatando que este é um órgão de produção de conhecimento e direcionamento, que ajuda na formulação de perguntas que para se ter as respostas precisa que se vá buscá-las, através de pesquisa. Em seguida passamos a discutir sobre educação onde relato a seguir alguns pontos e minhas impressões.

- valorizar e escutar o que cada sujeito esta querendo dizer - eu acredito que este é um dos pontos principais se não o mais importante de nossa profissão;
- existem dois tipos de pessoas, as que testemunham e ficam só olhando para saber onde vai dar ou as que lutam para que se possa ter garantias – Penso ser este também um papel do psicólogo, ajudar com que se possa ter garantias;
- somos educados a não pensar, a permanecer silenciosos – acho que é uma verdade, mas acredito que hoje já esta se mudando este perfil;
- o psicólogo ainda trabalha hoje na redução de problemas – para que o trabalho do psicólogo seja válido acredito que temos que trabalhar com prevenção e isso se faz através da escuta, mas não de uma escuta simples, uma escuta profunda sobre o sofrimento de cada ser;
- a evasão escolar hoje acontece pois a escola não sabe dar conta do que acontece com o sujeito, o porque que aquela criança chega no ambiente escolar com aquele tipo de comportamento – acho que tem que ir mais fundo, fazer uma investigação profunda em relação a criança e trabalhar as questões que são da sua subjetividade, dentro da rede onde ela encontra-se inserida, só assim pode se ter chances de fazer alguma coisa de verdade;
- Novos lugares do psicólogo: dar conta do humano; não focar no ser mas nas relações de produções subjetivas; reconhecer a complexidade das relações sociais; ter uma pratica intersetorial; trabalhar em rede – Penso que estes lugares são de extrema importância ao psicólogo, que cabe a ele sim trabalhar dentro destas bases, conforme relatei acima minhas opiniões. Se não trabalhar no coletivo, implicando o sujeito envolvido, pensando na subjetividade dele, trabalhando dentro de todas as relações que ele possui, não tem sentindo fazer um trabalho com este sujeito, pois não vai ser um trabalho sólido e profundo;
- entender o que produz o adoecimento e celebrar o que deu certo, precisa-se valorizar e reconhecer o positivo – Acredito ser um pouco do ser humano não fazer isso, ficar sempre preso ao que não deu certo, o que não vai fazer a coisa andar, acredito ser um processo de mudança que não é fácil por ser cultural, mas que pode ser feito;
- a prática do psicólogo na educação tem que estar voltada para a produção de saúde, cidadania e defesa da vida – Esse penso ser o papel do psicólogo em qualquer campo de atuação, sem isto seu trabalho não vai funcionar;
- O desafio é lidar com a diversidade, estar disponível para lidar com o inesperado, e ter capacidade para manter o aprendizado – esse ponto penso ser mais um ponto importante, pois fazer qualquer trabalho sem pensar nestes aspectos, é melhor nem começar a executar.

Para mim, foi uma discussão rica, o que só fez reforçar o venho pensando, e acredito estar dentro de mim, mas que com esta matéria posso dizer que vai ficar enraizado, marcado de forma mais profunda, que é ver o sujeito dentro da sua subjetividade; trabalhar em conjunto para a construção de melhores soluções, sempre me preocupando com o que o outro precisa e não o que eu acredito que ele precisa; lutar pelos direitos, não só os meus mas de quem não tem condições de assim o fazer. A Silvia fechou com uma frase ontem que achei fantástica e finalizo minhas postagens com ela. “Sozinha eu vou mais rápido, acompanhada vou mais longe”
Loiva, obrigada por compartilhar todo esse conhecimento e essa paixão pelo que você acredita, não só comigo, mas com toda a turma, você está fazendo parte da construção de uma pessoa melhor – A MINHA CONSTRUÇÃO!!!!!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nona Aula - parte II

Nesta segunda parte, recebemos a visita da Sra. Maria Marlene, ela é mestranda em Psicologia Social pela UFRGS, trabalha na prefeitura de nossa cidade. A Sra. Maria Marlene veio para nos falar sobre a saúde do trabalhador.
Seguindo a linha da postagem anterior, cito abaixo alguns comentários e reflexões.

- A política do trabalhador é uma políticas que sugiu com o SUS, mas não foi levadao muito a sério, num primeiro momento;
- É uma política que serve a todos os trabalhadores, não só os trabalhadores das áreas públicas;
- Temos que pensar o porque hoje tantos trabalhadores se encontram doentes, será os gestores tem contribuição para que isto esteja acontecendo?
- A função dos psicólogos que trabalham com saúde do trabalhador é assessorar os gestores, para que eles entendam que cuidar da saúde dos trabalhadores não é um desperdício e sim um investimento. Para isto é necessário trabalhar com prevenção e não só quando a doença está instaurada.;
- Hoje não se tem noção da quantidade de trabalhadores que sofrem de depressão e que esta esteja correlacionada ao seu ambiente de trabalho;
- Alguns profissionaisda área da saúde, que trabalham para as empresas, são pagos para dizer que o trabalhador não se encontra doente;
- Ainda hoje, as pessoas, os trabalhadores, continuam não sabendo dos seus direitos;
- O impacto da produção, ainda hoje, influência muito na vida e na saúde do trabalhador. Aqui vou falar sobre dois aspectos que me chamam a atenção: O trabalhador por necessidade de ter seu emprego, em muitos momentos não se valoriza aceitando qualquer coisa para poder manter seu trabalho; o trabalhador que executa suas atividades, de forma exagerada, relacionada não só ao trabalho, mas em todas as áreas da sua vida, assim o faz para preencher o vazio que se encontra.
- Nos psicólogos termos que desconstruir os rótulos que foram impostos na saúde do trabalhador, fazendo uma conscientização que os trabalhadores não são produtos que possam ser descartados quando já não servem mais;
- Tenho que saber que, eu como psicólogo, não posso mudar tudo que acredito estar errado, mas posso sim mudar aos poucos o que eu consigo, eu posso ser um veículo de mudança;

Até a próxima aula!!!!!

Nona Aula - Parte I

Ontem (13/01), na primeira parte da aula falamos sobre as políticas do SUAS, os eixos que elas se constituem. Algumas coisas me chamaram a atenção durante as aulas que se referiram a políticas públicas e a esta aula, deixo abaixo minhas impressões e algumas informações para conhecimento.
- As políticas foram efetivamente firmadas durante a constituição de 88. Foi no governo do Lula que mais houve preocupação com as políticas de assistência;
- Proteção social: é a primeira ação feita na Assistência social, pois estas pessoas que procuram ou precisam deste tipo de política é porque se encontra vulneráveis;
- Tem que ajudar o sujeito a se reorganizar dando formas para ele se reerguer, quando ele começa a fazer um movimento ele passa a se autogerir;
- O psicólogo que trabalha na área da assistência social tem um outro papel diferente da área clínica, ele tem que ter uma escuta qualificada, fazer um diagnóstico clínico e encaminhar para os atendimentos devidos;
Com isso, mais uma vez tenho a dizer que o sujeito tem que ser escutado dentro da sua subjetividade, dentro do seu contexto, mas tem que ser escutado, pois hoje está ainda maior o número de pessoas que encontram-se em sofrimento psíquico e o nosso papel (psicólogos) é auxiliar com que estas pessoas consigam sair deste sofrimento (dentro do que ela consegue fazer e suporta).

Vamos a segunda parte da aula!!!!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Oitava aula - parte I e II

Ontem (12/11) discutimos um assunto polêmico e que deixou a sala bem dividida. Trata-se da redução de danos no uso de álcool e outras drogas. Na primeira parte da aula assistimos ao um vídeo que se chama “Não é o que parece”, onde relata sobre algumas experiências realizadas com redução de danos e ainda sobre o lugar que a droga ocupa na vida das pessoas.

O segundo momento foi aberto para discussão. Segue meu ponto de vista. Acredito que redução de danos pode sim fazer a diferença no tratamento e na vida dos usuários, pois quando falamos em drogas não temos que pensar qual droga o sujeito está usando, já que a droga está em nossa civilização há séculos, o ponto é muito mais profundo. Temos que pensar sim o que levou este sujeito a ir buscar a droga, que droga está à vida dele que ele tem que ir buscar outra para tamponar seu sofrimento. A redução de danos serve para ajudar o usuário a se responsabilizar por esta escolha e viver bem dentro dela, trabalhando, tendo sua família, tendo bem estar em sua vida.

O que se faz hoje e acredito ser um equivoco é que se trava uma luta contra as drogas, mas não se dá outras possibilidades ao usuário de ter outra coisa no lugar.

No mundo capitalista que vivemos onde temos quer ter aquele celular que acabou de ser lançado, temos que ter aquele computador que é de ultima geração e que sucesso e felicidade para muitos é ter um carro do ano, não se pensa nas pessoas que não tem condições de poder ter esses objetos. Essas pessoas têm desejos, tem uma falta dentro delas como nos todos temos. O que nós difere é sermos privilegiados por termos, de alguma forma, condições de diminuir nosso buraco existencial.
Outro ponto levantado durante a discussão foi o aumento da violência em detrimento ao uso de drogas. Na minha opinião, não é o uso de drogas que aumenta a violência e sim a potencialização do capitalismo que faz com que o sujeito queira ter o que não pode, por não ter condições financeiras para isso, causando um vazio maior e dentro desse vazio usa a droga para apaziguar seu sofrimento.
O capitalismo é algo que não podemos banir, então temos que trabalhar em outro foco, o foco do sofrimento, fazendo com que cada sujeito tenha bem estar no seu viver, independente das escolhas que ele faça. Como futuros psicólogos, temos que ajudá-los a se responsabilizar por suas escolhas, sempre estando prontos para escutá-los, não reprimí-los e excluí-los, pois isso a nossa sociedade já faz muito bem.

Até a próxima aula!!!!!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sétima aula - segunda parte

Após o intervalo recebemos a sra. Érika que trabalha como gerente de enfermeiras em Farroupilha, no Hospital São Carlos, foi aluna da Pós-graduação sobre humanização que aconteceu em nossa faculdade e veio nos contar como foi essa experiência. O seu trabalho de conclusão seria implantação de mecanismos no local onde trabalha.
Érika nos conta que no primeiro momento foi bem difícil à execução do que havia se proposto a fazer, que para que isso pudesse ocorrer ela teria que revisitar o local, saindo do cenário para poder visualizar o mesmo e em seguida poder verificar o que precisava ser feito. Foi então que formulou um grupo de trabalho em humanização, através de reuniões mensais onde participariam todas as pessoas envolvidas. Nestas reuniões seriam levantados assuntos para discussão de acordo com a demanda trazida pelo grupo. Já na primeira reunião os participantes decidiram por realizar as reuniões fora do horário de expediente e quinzenalmente. Essas reuniões aconteciam através de rodas de conversa, onde os assuntos seriam discutidos, todas as opiniões levantadas e por fim se chegaria a um bem comum. As reuniões tinham como objetivo sair do engessamento que normalmente acabamos por nos encontrar no dia-a-dia, reinventando as formas de cuidado.
Nessa experiência pude pensar mais uma vez como é importante o se reunir para pensar num bem comum, o quanto é importante discutir para trazer melhores soluções, já que muitas vezes nos encontramos sem saber como proceder, parecendo não ter solução algo que a resposta está bem a nossa frente. Ainda como futura psicóloga pude pensar mais uma vez em como cada sujeito é único, como temos que respeitar cada um como é, ajudando-o dentro da sua singularidade e da forma como ele acredita ser boa de viver.
Até a próxima aula!!!!

Sétima aula - primeira parte

Na aula de ontem (11/01) pudemos ter duas experiências muito interessantes. Vou relatar agora a que ocorreu no primeiro período. recebemos a visita do Sr. Gilmar e o Sr. Pizetti que nos contaram um pouco sobre suas experiências em relação a participação na construção de políticas públicas. Escutar um Sr. de 85 anos com aquela paixão toda pelas suas conquistas é encantador. Só para vocês entenderem um pouco o Sr. Gilmar participou da construção do orçamento participativo como conselheiro (o orçamento participativo é um mecanismo governamental de democracia participativa que permite aos cidadãos influenciar ou decidir sobre os orçamentos públicos, geralmente o orçamento de investimentos de prefeituras municipais, através de processos de participação cidadã. Esses processos costumam contar com assembléias abertas e periódicas e etapas de negociação direta com o governo. No Orçamento Participativo retira-se poder de uma elite burocrática repassando-o diretamente para a sociedade. Com isso a sociedade civil passa a ocupar espaços que antes lhe eram "furtados"), participou também como conselheiro de Caxias do Sul no movimento social para construção de cidadania, como ele mesmo nos conta e atualmente é acessor da Deputada Marisa. Já o Sr. Pizetti fez parte do Conselho do Posto de Saúde (Rua Pinheiro Machado, que abrangia alguns bairro incluindo o Madureira, que é o bairro onde tem maiores conquistas em relação a cidadania, que foram conseguidas juntamente com o Sr. Pizetti), mas antes disto ele passou pela ditadura militar, ficou preso durante 36 dias por fazer parte das associações dos amigos do bairro, isso tudo por volta de 1955, onde a voz do povo estava sendo calada pela política que vínhamos enfrentando na época. Como o sr. Pizetti mesmo nos relata, ele ajudou na cobrança das promessas feitas pelos políticos em época de eleição. Após essa experiência o que pude tirar para mim é que nós cidadãos temos que cobrar nossos direitos, que o que se é prometido pelos políticos tem que ser cumprido cabendo a nós, cidadãos cobrar, para isso é necessário se informando sobre o que está sendo feito em nossa cidade; quais promessas foram feitas pelos políticos nas épocas de eleição para poderem ser cobradas futuramente; o que temos de lei, que garantem nossos direitos, fazendo-as ser cumpridas. Ainda pude tirar que quando a população se junta para pensar e decidir em conjunto muito mais é construído, pois se constrói em benefício de todos, fazendo com que todos assumam sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa e mais humana. Vamos a próxima parte da aula!!!!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Gestores e o Planejamento....

E para encerrar estas duas últimas aulas sobre o SUS (08 e 09/01), coloco para vocês um vídeo sobre como é feito o planejamento pelo gestores no SUS, é um vídeo auto explicativo, rápido e bem intressante. Aproveitem e até a próxima aula!!!



História da Saúde - Parte II

História da Saúde - Parte I

Pacto pela saúde

O Pacto pela Saúde é um conjunto de reformas institucionais pactuado entre as três esferas de gestão (União, estados e municípios) do Sistema Único de Saúde, com o objetivo de promover inovações nos processos e instrumentos de gestão. Sua implementação se dá por meio da adesão de municípios, estados e União ao Termo de Compromisso de Gestão (TCG), que, renovado anualmente, substitui os anteriores processos de habilitação e estabelece metas e compromissos para cada ente da federação.

As transferências dos recursos também foram modificadas, passando a serem divididas em seis grandes blocos de financiamento (Atenção, Básica, Média e Alta Complexidade da Assistência, Vigilância em Saúde, Assistência Farmacêutica, Gestão do SUS e Investimentos em Saúde).

É através deste que nós como protagonistas de uma história, temos o dever de ajudar a construir políticas públicas que atendam a necessidades de todos, pensando na subjetividade de cada ser envolvido, não formulando políticas generalistas, trabalhando através do controle sociais, responsabilizando o sujeito na construção dos seus direitos.




Quinta aula - Criação do SUS

Na aula de ontem (08/01), assistimos ao vídeo sobre a criação do SUS, mostrando como eram as políticas públicas de saúde desde a época da ditadura até os dias de hoje. Apresentarei abaixo um pouco da história e por fim uma breve reflexão. Um dos marcos na saúde ocorreu em 1986 na 8ª Conferencia Mundial de Saúde, por vários motivos.

Foi aberta em 17 de Março de 1986 por José Sarney, o primeiro presidente civil após a ditadura, e foi a primeira CNS a ser aberta à sociedade; além disso, foi importante na propagação do movimento da Reforma Sanitária.

A 8ª CNS resultou na implantação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), um convênio entre o INAMPS e os governos estaduais, mas o mais importante foi ter formado as bases para a seção "Da Saúde" da Constituição brasileira de 5 de outubro de 1988. A Constituição de 1988 foi um marco na história da saúde pública brasileira, ao definir a saúde como "direito de todos e dever do Estado". A implantação do SUS foi realizada de forma gradual: primeiro veio o SUDS; depois, a incorporação do INAMPS ao Ministério da Saúde (Decreto nº 99.060, de 7 de março de 1990); e por fim a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990) fundou o SUS. Em poucos meses foi lançada a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que imprimiu ao SUS uma de suas principais características: o controle social, ou seja, a participação dos usuários (população) na gestão do serviço. O INAMPS só foi extinto em 27 de julho de 1993 pela Lei nº 8.689.

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988 para que toda a população brasileira tenha acesso ao atendimento público de saúde. Anteriormente, a assistência médica estava a cargo do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), ficando restrita aos empregados que contribuíssem com a previdência social; os demais eram atendidos apenas em serviços filantrópicos. Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros (bancos de sangue), os serviços de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental, além de fundações e institutos de pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil.

Sabemos que muito ainda precisa ser feito em relação à saúde da população, mas uma grande evolução ocorreu desde os tempos da ditadura até os dias de hoje. Isso vem trazendo muitos benefícios a toda a população e principalmente para as populações de baixa renda.

Um dos pontos que acredito ser de extrema importância para melhorar aspectos relacionados à saúde é aceitar e procurar saber mais sobre a singularidade de cada sujeito, não formulando políticas generalistas. Cabe a gestores, aos profissionais da área da saúde, fazer com quer isso aconteça, se reunindo para discutir com mais profundidade cada caso a ser atendido. Esse é um dos pontos que poderá ser trabalhado como uma espécie de prevenção, pois se pudermos conhecer mais sobre o sujeito, podemos saber os motivos que o faz buscar atendimento. Muitas vezes estas pessoas precisam realmente de atendimento médico, mas por vezes precisam somente ser ouvida, escutada.
Nas próximas postagens, colocarei alguns vídeos sobre a história da saúde, sobre o planejamento gestor. Até a próxima aula!!!!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Boris Casoi.... injustiça....

Queria deixar meu desabafo e minha indignacão em relação ao episódio protagonizado pelo Sr. Boris Casoi, no vídeo que postarei a seguir sobre as pessoas que limpam as sugeiras deste Sr.
Acredito que as desculpas pedidas por este Sr. foram só por ele ser um jornalista e por ter sido chamada sua atenção através de sua emissora... não senti verdade no que ele disse, se não algo que foi ensaiado... se as declarações feitas por este Sr. não fossem verdadeiramente sua opnião... ele não as teria dito da forma como fez deboxando destas pessoas que são tão ou mais dignas que ele.....


Quarta aula - Filme Batismo de Sangue

Ontem na primeira parte da aula assistimos ao filme Batismo de sangue, trata-se de um filme brasileiro realizado em 2006 e lançado em 2007, dirigido pelo cineasta Helvécio Ratton. O filme é baseado no livro homônimo de Frei Betto que foi lançado originalmente no ano de 1983, e vencedor do prêmio Jabuti.
O filme conta a história de padres dominicanos na época da ditadura. Inicia-se assim, na cidade de São Paulo, no final da década de 1960, o convento dos frades dominicanos torna-se uma das mais fortes resistências à ditadura militar vigente no Brasil. Movidos por ideais cristãos, os freis "Tito", "Betto", "Oswaldo", "Fernando" e "Ivo", passam a apoiar logística e politicamente o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado à época por Carlos Marighella. O grupo dissocia-se após uma conversa entre Frei Diogo e seus frades, onde conclui-se a necessidade de dispersão do grupo a partir de então.

Frei Ivo e Frei Fernando partem para o Rio de Janeiro, onde são surpreendidos e torturados por oficiais brasileiros que, acusando-os de traidores da igreja e traidores da pátria, perguntam por informações sobre o local de reunião do grupo para a posterior captura e execução de seu líder, Carlos Marighella. Após sofrerem cruel tortura, os frades informam aos policiais o horário e o local de reunião do grupo, onde Marighella costuma receber recursos oriundos da igreja. Marighella é então surpreendido e executado por policiais do DEOPS paulista, sob o comando do delegado torturador Fleury. Frei Betto, refugiado no interior do Rio Grande do Sul, é encontrado, preso, e une-se ao restante do grupo no presídio de Tiradentes, em São Paulo, em 1971. Os frades são posteriormente julgados e sentenciados a quatro anos de reclusão em regime fechado.

A única exceção é Frei Tito, que liberto por um processo de negociação para a libertação de um embaixador sequestrado pela ALN, exila-se na França. Frei Tito não consegue superar as sequelas psicológicas sofridas após ser preso e torturado e acaba suicidando-se, ainda na França.
Depois do filme, iniciamos uma discussão o que me fez pensar que todas as vezes que tiramos os direitos dos seres humanos, estes adoecem, pois são privados até mesmo de suas necessidades básica. Pegando o exemplo do filme quando vemos o sofrimento do Padre Tito, após ser torturado e mandado embora de seu país, sem poder ter seus familiares e tudo o que fazia parte da vida dele, o mesmo não dá conta de todo esse sofrimento e adoece psíquicamente e por fim levando-o a cometar suicídio.
Se pararmos para pensar o porque da enormidade de pessoas que encontramos hoje com
sofrimentos psíquico, que acaba por acarretando na maneira que levam ou não mais levam sua vida, só posso chegar a uma conclusão: estas pessoas são privadas dos seus direitos básicos, mínimos.
Ainda sobre um outro ponto que me chamou a atenção, é o porque que as coisas e as pessoas estão como estão hoje? sei que não é uma resposta muito simples, mas basta olhar para trás, ver a nossa história, poderemos ter algumas respostas levando em conta fruto do que nós somos.
Acho que com isso podemos ter algumas respostas.
Até a próxima aula.....

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Protagosnismo social da Psicologia na defesa dos direitos humanos



Protagonismo Social da Psicologia na Defesa dos Direitos Humanos


Cecília Maria Bouças Coimbra; Maria de Nazaré Tavares Zenaide


Conselho Regional de Psicologia – 13ª Região... permitiu que iria ter uma eleição do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e ela fez a análise de uma casa-abrigo, aqui em João Pessoa. Nessa monografi a ela constatou abuso e violência, por parte daqueles que eram os gestores da instituição. Foi graças à pesquisa dessa menina, que fi zemos uma queixa e conseguimos que o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente não fosse alguém que tivesse uma mentalidade punitiva e uma prática de abuso e violência.
Vejam só como a pesquisa e a intervenção podem ser instrumentos fundamentais no alicerce dos conselhos de defesa. Foi através do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos que pudemos ter essa intervenção.
Queriam desqualificar o trabalho dela, como se fosse de uma militante do Partido dos Trabalhadores. Era uma denúncia. Tentaram desqualificar o trabalho.
Coloco como é importante, nas universidades, fortalecermos os setores de pesquisa e estudos.
Quando há um setor de estudos e pesquisas sobre criança e adolescente na universidade e nesse setor há tanto a pesquisa como a extensão universitária, isso faz com que não se descole a questão da investigação da questão da intervenção. É fundamentalque nós, da Psicologia, estejamos fortalecendo essa questão. É muito importante que esses setores não sejam de um departamento, mas que sejam setores que envolvem serviço social e Psicologia. Vemos a ausência dos nossos psicólogos nesses espaços. Eles precisariam estar olhando para a intervenção sobre a questão do adolescente, de modo que a pesquisa e a extensão estejam de fato transformando mentalidades.
Nesse caso a pesquisa teve o impacto na questão. Foi fundamental. A nossa preocupação não é de transformar em especialismo, mas que o olhar possa ser feito vinculando os outros saberes. É muito importante, por exemplo, uma experiência que temos aqui. Na Comissão de Direitos Humanos, fazemos um trabalho de educação e de formação, com vários olhares sobre a questão: fi lósofo, professor de Direito, pesquisador da área de Sociologia, Antropologia, Psicologia, Assistência Social. Isso faz com que possamos ver sobre vários ângulos da questão e sobre várias implicações da realidade.
É muito importante com vamos pensar essa relação com a academia. Na questão das políticas públicas, temos que pensar na formação dos novos profi ssionais. Questiono como nós, nos conselhos profi ssionais de Psicologia, podemos também estar nos articulando com a academia e com os órgãos da área de defesa, para pensarmos na formação do profi ssional que já está no campo das políticas públicas, mas que não teve essa formação de direitos humanos.
Há profi ssionais, que estão no sistema penitenciário, nas delegacias da mulheres e da criança e do adolescente e em programas de segurança pública, que não passaram por esse processo de refl exão crítica. Eles vêm da mentalidade do senso comum, de que direitos humanos é defesa de bandido, de que direitos humanos não têm a ver comigo, estão no outro e que nenhum de nós, se fi zermos uma retrospectiva de vida, tem implicações com a questão dos direitos humanos.
Tem muito a ver com a vida de cada um! Isso não é uma coisa estrangeira: é uma coisa que faz parte da gente.Temos que pensar, sim, na formação desse profissional da Psicologia que já está fora da universidade. Ele já está nas instituições e faz intervenção nas políticas públicas. De repente, eles vêm com a questão da justiça terapêutica. Na cabeça deles, estão preparados e não precisam de reflexão crítica. Vêm, também, as questões da militarização e da segurança pública.
Essas pessoas estão despreparadas para terem uma postura crítica diante disso daí. É mais fácil que entrem no jogo da tentativa de justificar a visão penalista da atuação profissional.
Quando nos aproximamos dos psicólogos que atuam no sistema penitenciário, por exemplo, vemos que a prática deles está reduzida ao laudo. Esse é um problema sério. A visão jurídica estreitou tanto a atuação do psicólogo que ele se limita ao laudo. Ele não tem mais tempo de fazer outra coisa, porque tem tempo limitado e prazos defi- nidos. Isso faz com que fique estritamente nessa questão.
Aconteceu um caso que gosto de exemplifi car. Houve uma rebelião no presídio feminino de João Pessoa. A agente penitenciária começou a reduzir o tempo do banho de sol e modificações até ao ponto de tomar a sala dos técnicos. Tomou a sala e disse que a sala passaria a ser dos agentes penitenciários.
Quando os técnicos chegaram ao presídio, a sala não era mais deles. Todo mundo estava assistindo, sem fazer nada. Um dia, as presas resolvem fazer alguma coisa. Quando elas berraram, gritaram e tomaram o policial como refém no momento da rebelião, disseram que estavam utilizando o policial porque precisavam falar do que estava acontecendo lá. Todo mundo estava vendo, mas ninguém estava reagindo. Todo mundo estava ficando igual. Não estamos presos nas celas, mas estamos aprisionados. Nossas mentes, nossas emoções, nossos afetos estão todos aprisionados. Estamos como que adormecidos. Alguém tinha que reagir, e as presas reagiram. Nossa cela está acinzentada e estamos adormecidos. Alguém tinha que reagir, e as presas reagiram.
O que acontece depois da rebelião? Apenas aumentou a pena das apenadas. Ninguém questionou a responsabilidade dos profissionais, dos gestores, aética dos psicólogos, dos defensores públicos, dos assistentes sociais. Nossa ética ficou toda guardada nos livros, na academia.
Isso aumentou a pena das meninas. E teve mais: reinauguraram um presídio em Campina Grande, para onde as levaram. Colocaram lá uma profi ssional para dirigi-las e, um ou dois meses depois, foi constatado que estava havendo abuso e violência.

lém de terem sido afastadas, a nova gestão teve problemas de violência institucional. E a nossa responsabilidade como profi ssionais? A professora muito bem coloca a questão do trabalho de um psicólogo, do papel da Psicologia, refletindo essa questão penal o Brasil.
Que sistema penitenciário é esse, que faz com que fi quemos aprisionados? Até a sala dos psicólogos era cheia de poeira, suja. A sensação deles era a de estar presos.
A saúde do trabalhador, nessa área do sistema penitenciário, é uma questão muito séria. Esse processo de aprisionamento é tão sério que eles vão começando a naturalizar qualquer prática de violência e ninguém vê a violência que lá acontece. Não tem a ver conosco a violência. É problema dos que botam a mão.
É do agente penitenciário que se corrompe e fica no processo do comércio ilegal dentro da prisão. Nós lavamos as mãos, porque não tem nada a ver conosco.
Não queremos ver e nos distanciamos, ficando nas nossas salas. Não vamos à cela, não entramos lá para não nos sujar, e fazemos de conta que não está acontecendo nada. Quando há rebelião, nós nos afastamos e corremos, antes que aconteça algo conosco. Essa é uma questão séria.
Temos que pensar qual é essa Psicologia. Como cuidar desses profissionais? Como trazê-los a nós, para que possamos fazer com que encontrem nos Conselhos e na academia um espaço em que possam se recuperar? O que senti, nessa prática, é que os nossos psicólogos também estavam desumanizados. A essência de humanidade dessas pessoas estava totalmente desmontada. Então, professora, eu fico me questionando. A senhora falou da formação que devemos pensar em construir. Quando falarmos em direitos humanos para esses profissionais, que comecemos com o processo de humanização. Não podemos chegar para esses profissionais
apenas com a lei, apenas com a versão jurídica. Temos que pensar as dimensões, as mais amplas possíveis, para fazer com que esses profi ssionais da Psicologia possam recuperar esse seu elemento de humanidade e de cidadania, porque, se não, eles não vão agir como protagonistas, não vão se sentir como sujeitos de direitos, eles não vão atuar como cidadãos, nem como atores institucionais que vão pensar em construir uma outra política de segurança e de justiça para esse país, porque estão apenas reproduzindo um tipo de modelo que a senhora muito bem colocou, ou seja, tudo voltado para a punição e nada voltado para a reeducação ou um processo de reabilitação ou de direitos humanos. Senti na pele que, ao tratar do tema dos direitos humanos, se não formos com um trabalho de vivência, de um processo demorado que vai limpando e cuidando, as pessoas ainda estão muito impregnadas dessa questão da penalização, de ver o preso não como um sujeito de direitos.

Outra coisa que observei entre os profissionais é uma postura de rivalidade. Eles não se percebem como atores de uma construção de política pública. Cada um vê o seu pedaço.
Chega ao absurdo de os laudos serem colocados para os presos. A rivalidade entre os profissionais chega ao ponto de mostrar para os presos o laudo de outro profissional. Estão degradadas as relações institucionais. Um nível de competitividade e de degradação cuidou das mentes e dos corações e fez com que as pessoas se desmontassem como pessoas e como sujeitos, como atores institucionais. Elas não se vêem como construtoras de uma política pública.
Outra questão que a professora colocou, que considero fundamental, é a questão da militarização da segurança pública. Se percebermos, professora, a maioria dos dirigentes do sistema penitenciário - aqui na Paraíba vivemos muito isso - tem formação militar. Ora, sabemos que há defensores públicos, advogados, assistentes sociais e psicólogos com experiência de gestão na área de segurança. Esses profissionais nunca foram olhados, para serem colaboradores no processo de gestão. Colocam militares. Quando os conselhos de defesa começam a fazer o controle externo, de averiguar quando há abuso e denúncia de violência e de violação, ficamos nos portões. Quando há, de fato, uma violência, conseguem encobrir. Passamos um tempo fora dos portões, até usarmos o recurso jurídico para a entrada. Então, vemos uma grande contradição. Avança-se no processo de democratização, por um lado e em algumas questões, mas os órgãos que poderiam exercer o controle social ainda fi cam nos portões dos presídios, na hora em que precisam exercer a sua função de fi scalização do Estado na questão da violência institucional. Quando estive no Conselho Estadual, perguntei: “como entrar nesse campo das instituições”? Se só chegamos na hora da denúncia, eles não nos deixam entrar. Por exemplo, a Anistia Internacional publicou o livro sobre os maus-tratos. Nesse mesmo período estávamos fazendo um trabalho com o sistema penitenciário. Aqui na Paraíba, houve um massacre.
Oito presos foram assassinados. Se não chamarmos a atuação do Ministério Público, articularmos- nos com os órgãos de defesa e pensarmos um conjunto de ações, a denúncia vai fortalecer as resistências. Se não fortalecemos esses profi ssionais dentro do sistema penitenciário, ortalecendo os conselhos de defesa e ampliando essa rede de defesa, com estudos, pesquisas, dados e refl exões, o poder de intervenção é muito pequeno. Uma coisa interessante é
que eles odeiam a pastoral carcerária, mas é a pastoral carcerária que está nos presídios todas as semanas. É a única que está todas as semanas nos presídios, e é a única que está, de fato, olhando e ouvindo. É a única que escuta a voz dos presos. Por que incomoda tanto? Porque no sistema penitenciário ninguém quer uma política de trabalho. Não há uma política de trabalho lá dentro, assim como não há política de educação. No entanto, há um rede de comércio ilegal e muitas vezes devendo a presos. A relação é tão deformada que se inverte qualquer relação de autoridade e o processo de pensar essas instituições como um processo de uma intervenção de política pública com respeito e com dignidade.
Temos muito o que discutir na questão penitenciária. Na questão da militarização da segurança pública, uma das coisas que observamos é que ainda não conseguimos aproximar a mídia, no sentido de que ela esteja nos nossos seminários, nas nossas pesquisas e nas nossas intervenções, para que tenha uma postura mais bem formada da questão. Na questão do adolescente em conflito com a lei, apesar do que o Conanda tem feito aqui na Paraíba, precisamos da capacitação da mídia. A própria mídia está despreparada com relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Muita vezes, quando vêm as ondas de retomar a discussão da responsabilidade penal, temos que ter uma interlocução com a mídia, para a produção de profi ssionais da mídia que possam construir, conosco, um olhar crítico. Temos que pensar que o protagonismo tem que ser aliado a uma rede de outros profi ssionais. A comunicação também tem que entrar conosco nesse processo. Temos que pensar nessa articulação com a comunicação, não só naquele momento da denúncia, mas também prepará-los antes. Vemos que até a forma de escrever as matérias reproduz um tipo de discurso penalista. Vemos a fragilidade da relação com a comunicação. Na questão da segurança pública, vemos que todo mundo sente pena quando acontece uma violência que atinge a classe média ou os setores mais privilegiados economicamente. Os meios de comunicação vendem bastante nesse período. Eles utilizam a questão da segurança e da insegurança como mercadoria. Vemos como é forte essa utilização da insegurança, do terror. A formação de uma subjetividade em segurança é tamanha que começamos - vejo muito isso na universidade - a pagar guardas, porque, se não pagarmos, vamos ser assaltados. Não conseguimos discutir política de segurança pública e entramos na onda do comércio da segurança. Todos estamos pagando segurança privada, quando não discutimos a segurança pública numa perspectiva comunitária, de uma política pública de segurança que discuta a questão do conselho de segurança e modelos de ação preventiva. Que não separemos a questão das segurança da questão da educação, da saúde, do trânsito.
Por que faltam recursos? Se formos ver o orçamento utilizado nas seguranças privadas, perguntaríamos por que não há orçamento para a segurança pública. Quando tem orçamento, é para armar homens, não é para qualifi car ou implantar polícia comunitária, não é para formar uma rede alternativa. A sociedade está um pouco refém disso, quando só atua na hora da confusão. Quando tem um caso absurdo, fi camos na postura de vítima, que é muito passiva. Só atuamos na hora da caminhada pela paz. Vamos todos para a rua. Enchemos as ruas com caminhadas pela paz. Não discutimos mais a atuação da delegacia no bairro, não discutimos a atuação da delegacia da criança e do adolescente, não discutimos a política de segurança pública que queremos. Se o Conselho de Comunicação Social é um dos mais atrasados, imaginem o Conselho de Segurança. Como discutir segurança em política pública? Até pouco tempo atrás era questão de polícia. Temos que discutir como democratizar a política de segurança. Temos que construir política de segurança, se não quisermos fi car reféns da privatização da segurança pública. Aqui em João Pessoa tem bairro em que, às sete horas da noite, as pessoas já não podem mais voltar para casa. Fizemos um curso de polícia comunitária e, para o pessoal do bairro poder voltar para casa, tivemos que dar toda a segurança. Caso contrário, as pessoas não poderiam fazer parte do curso. Vou citar duas experiências, para vocês verem como a questão da militarização acontece. Houve uma caminhada pela paz, com jovens da escola. Quando chegamos a um determinado setor da rua, nós nos deparamos com a segurança privada. Os jovens, irreverentes, iam na frente e os pais e os professores, atrás. Era uma caminhada bastante longa e os jovens foram na frente. “Corram porque o pessoal da segurança privada está agredindo os meninos.” De repente, estava lá, a polícia militar, ao lado da bendita segurança privada, tomando conta do relógio da Globo. Foi nessa justificativa de não quebrar o relógio que tentaram agredir as crianças e os jovens. Nesse momento, a escola pôde chamar a polícia para discutir essa questão de, nas caminhadas, convocar a polícia para nos proteger. Vejam só, a Globo convocou a segurança privada e a polícia militar para proteger o relógio.
Ainda estamos com aquela postura de convocar a polícia pública para nos proteger.
Numa comunidade aqui do bairro, as escolas fi zeram uma caminhada pela paz no trânsito.
Os empresários convocaram a polícia para cuidar dos ônibus, porque disseram que os jovens iriam depredar os ônibus. Ora, era uma caminhada para as professoras discutirem a questão do trânsito, porque no bairro estava havendo muita violência no trânsito. Depararam-se com policiais fortemente armados enfrentando os jovens de escolas. Mais uma vez, não convocamos a polícia para nos proteger e para atuar conosco em uma caminhada, quando estamos querendo reivindicar políticas públicas. Quando falamos de uma experiência de polícia comunitária, de um trabalho de polícia interativa, de um trabalho de polícia discutindo com a escola, ou polícia com conselhos discutindo, começamos a reverter esse papel de militarização e começamos a fazer com que o policial passe a dialogar com os atores, com os educadores, com os jovens, com a associações de bairro. As pessoas não precisam ter medo da polícia. O pessoal de uma secretaria daqui disse que policial não poderia discutir com educadores e jovens, porque eram apenas para reprimir. Queremos que os nossos fi lhos tenham medo de polícia ou queremos reverter isso?
Queremos trazê-los para a cena, para a discussão da política pública, para as questões do bairro e das escolas! Eles não precisam provocar medo nos jovens. A professora disse que é preciso fazer essa leitura, e não fi car na posição de vítima, agindo na hora do caos. Precisamos atuar muito mais e pensar ações conjugadas com uma rede de atores sociais. Se não, não fazemos protagonismo e não conseguimos mudar o quadro. A sociedade reage naquele momento e faz a caminhada. Depois, temos dificuldades. Nessa questão da caminhada, foi possível juntar as escolas, os diretores de escola e o batalhão de polícia, para discutir qual é a atuação de cada um. A partir daí, o que podemos fazer para não ter mais essa postura? As empresas de segurança e as empresas comerciais utilizam a polícia para os interesses privados e nós, comunidade, escola, sociedade, não a utilizamos para nos proteger. Nós os deixamos hegemonicamente atuando, em função dos interesses privados. É momento também de pensar nisso daí.
Mais uma questão que a professora colocou que é importante - vou abrir os debates porque falo demais - é ter muito cuidado nesse momento histórico em que estamos vivendo. Não podemos pensar só nessa onda, antes das eleições, de tentar retomar a discussão da privatização, reforçar esse discurso, essa onda do tráfi co de drogas.
Até que ponto temos conhecimento dessa questão do tráfico e do crime organizado, para que não entremos no jogo do sensacionalismo e nesse engodo de chegarmos ao ponto de ter que justifi car uma ação de violação de direitos para poder justifi car a incompetência do Estado na questão do sistema penitenciário? Há quanto anos não se investe? Há quantos anos sabe-se o que acontece, ao juntar as pessoas numa mesma prisão? Há quanto tempo há tantos abusos e não se faz nada? O caos é a ausência do Estado nas políticas públicas. É isso que temos que discutir. Não podemos entrar nesse engodo, por conta dessa cultura do terror, que nos faz fi car inseguros, cada vez mais trancafi ados e trancafi ando nossos corações, nossas mentes e nossa capacidade de atuar como protagonistas sociais. Para provocar, eu gostaria que a Plenária levantasse questões para dialogarmos com a professora.


Debates: Público


Pegando a chamada - da colega e amiga Nazaré, da necessidade de refletirmos sobre as nossas práticas cotidianas, na medida em que as reproduzimos, principalmente em Psicologia, vou aproveitar para uma restituição, a ela própria, e falar um pouco de como podemos nos espantar, pois a violação dos direitos humanos vem dos pontos mais inesperados.
Participávamos de um programa de educação na área de segurança pública e, muito preocupados em como entrar nas organizações policiais, fomos surpreendidos por uma atitude do gestor financeiro do programa. Quando questionado sobre a absoluta falta de transparência, reagiu pedindo o nosso afastamento. Graças aos companheiros da equipe de Sergipe e da Paraíba, com a professora Nazaré, foi mantido o espaço público democrático na condução do término do programa.
Aproveitando o espaço para restituição, isto é, para passar a proposta de uma pesquisa de um mote que possa orientar o protagonismo social da Psicologia relacionado com a questão dos direitos humanos. Acho que talvez possamos procurar exatamente na naturalização do individualismo. A Psicologia tem sido efi cientíssima em produzir conhecimentos sobre os indivíduos. Talvez uma postura de reexistir como campo de saber em Psicologia, que possa atualizar a potência dos direitos humanos, seja esse indicativo firme, em nos negarmos a produzir conhecimento sobre os indivíduos e nos empenharmos em produzir conhecimento sobre o modo de funcionamento das instituições que articulam esse controle e essa disciplinarização.
Para começarmos, talvez um bate-papo, vou fi car esperando a resposta da Cecília, que talvez não mude. Para finalizar, ilustro o ponto a que estão chegando os mecanismos de controle.
Noutro dia, a imprensa estava comemorando a utilização do sistema GPS, sistema de localização por satélite, individual.
No início, para proteger do seqüestro quem possa pagar. Aos poucos, financiando o barateamento dessa tecnologia, para controlar, pelo sistema GPS de satélite, aqueles que poderão ser os perigosos.
Obrigado.


Cecília Maria Bouças Coimbra - Grupo Tortura Nunca Mais – RJ


É uma pena haver tão poucas pessoas. Devemos pensar não só o esvaziamento com relação à questão dos direitos humanos, mas também o fato de haver muita coisa junta.
Devemos pensar sobre isso no próximo encontro. Fechando, eu queria fazer algumas colocações muito rápidas sobre o que foi dito pela Nazaré. Achei algumas coisas muito interessantes e importantes. Logo no início, ela falou das pesquisas, das dissertações, das pesquisas, em como é importante a academia pensar sobre essas questões. O tempo todo essas questões, dentro da academia, são desqualifi cadas. Não é uma ciência. Isso é uma militância, é política. A ciência é uma coisa neutra, é uma coisa superior. Eu me lembrei de um trechinho do Foucault que abre exatamente para o nosso nível. Foucault, diz o seguinte, pensando essa questão: “Que tipo de saber vocês querem desqualifi car, no momento em que dizem que é uma ciência? Que sujeito falante, que sujeito de experiência ou de saber vocês querem minorar, quando dizem: eu formulo esse discurso, enuncio esses discurso porque sou cientista?” Eu acho que é isso que você está colocando. Não é por acaso que somos vistos como não fazendo Psicologia. Fazemos de tudo. Eu faço política, milito nisso e naquilo, mas não faço Psicologia. É uma questão para pensarmos. Que Psicologiaé essa? Que modelo é esse de Psicologia que querem que façamos?
Quando você fala das agentes penitenciárias que foram tomando uma série de medidas, inclusive arbitrárias, não permitindo banho de sol e tomando a sala dos técnicos, lembrei-me de um poema do Bertolt Brecht sobre a ascensão do nazismo na Alemanha. Badaladíssimo esse poema do Brecht. “Uma vez vieram buscar os homossexuais. Como eu não era homossexual, eu nada fiz. Outra vez vieram buscar os comunistas. Como eu não era comunista, eu nada fiz. Outra vez vieram buscar os católicos. Como eu não era católico, eu nada fi z. Quando vieram me buscar, não havia mais ninguém.”

Fazemos de conta que nada está acontecendo. Não é trabalho nosso. Sou psicólogo.
Nessa Psicologia que querem colocar como modelo, e está sendo colocada o tempo todo como modelo. Eu acho importante que estranhemos isso efetivamente. O relatório da Anistia Internacional sobre os maus-tratos nas prisões tem como subtítulo o seguinte: “Me tratam pior que um animal”. É a frase de um presidiário. Eles colocam como subtítulo do relatório da Anistia Internacional. Em cima da questão que você e o Manuel trouxeram, a questão da polícia é um negócio muito sério. Trazer a polícia até nós é fundamental, agora é fundamental pensarmos e questionarmos que tipo de formação é dada para esses policiais, especialmente os policiais militares. Que tipo de treinamento é dado a eles? Um aluno meu é soldado da PM, no Rio de Janeiro. “A primeira coisa que querem fazer com a gente, e que fazem, é tirar a nossa condição de cidadão civil. Somos militares.” É uma outra coisa “ser militar”!
É fundamental pensarmos no tipo de formação que eles têm. Algumas músicas, cantadas durante os treinamentos, são hinos ao extermínio: “Eu vou na favela, mato um. Chupo o sangue... Chupo o coração...” São impressionantes as músicas que a polícia militar do estado do Rio de Janeiro utiliza nos treinamentos, não só dos sol Temos que pensar na formação deles e neles como cidadãos. É a questão da segurança desse policial, tanto civil quanto militar, é a questão dos seus salários, pois não é por acaso que se paga tão pouco ao policial. São questões importantes a serem pensadas. É pena sermos sempre tão poucos a pensar sobre isso. Agradeço a vocês a presença e agradeço o convite. Vou deixar no Conselho um exemplar de cada livro que estou trazendo. Para a Comissão de Direitos Humanos fi cou apenas um. É esse aqui que laçamos no Rio, chamado “Clínica e Política”. Este aqui é do Tortura Nunca Mais. Cada um custa vinte reais.
Esse aqui, inclusive, tem o Protocolo de Istambul, totalmente traduzido. Ainda não havia tradução para o português. O Protocolo de Istambul é uma convenção internacional que trata de maus-tratos e tortura em estabelecimentos. Como denunciar a questão dos maustratos e da tortura em estabelecimentos? É o chamado Protocolo de Istambul. Pela primeira vez foi traduzido. Estou deixando um exemplar para o Conselho.

Muito obrigada

Maria de Nazaré Tavares Zenaide - Conselho Regional de Psicologia – 13ª Região
II Seminário de Psicologia e Políticas Públicas: Políticas Públicas, Psicologia e Protagonismo Socialda Psicologia na Defesa dos Direitos Humanos com que fiquemos inseridos nessas políticas públicas de forma refém, porque estamos atuando de uma forma limitada, uma determinada atuação. Precisamos aprofundar, na nossa categoria, nos conselhos e nas várias
instâncias que atuam com Psicologia, essa discussão sobre a segurança pública, para que possamos, de fato, ter uma inserção na perspectiva de mudança social. Gostaríamos, então, de encerrar o II Seminário de Psicologia e Políticas Públicas - Psicologia e Protagonismo Social.
Em nome do Conselho Federal de Psicologia e do Sistema Conselhos, agradeço a todos que colaboraram com este seminário e fizeram com que este momento fosse ímpar. Sabemos que é um espaço de discussão política que o Sistema Conselhos e o Conselho Federal fazem, para que possa haver uma inserção dos psicólogos nas políticas públicas. Este seminário trouxe oportunidades ímpares, pois trabalhamos diversas áreas: crianças e adolescente, comunicação, direitos humanos, segurança pública. Cada área dessas merece outros momentos de aprofundamento.
Que possamos fortalecer essa rede com os Conselhos e com a academia e que, no próximo seminário, possamos estar aqui, trazendo outras experiências e outras falas, numa perspectiva diferente, a fi m de construir um protagonismo efetivamente crítico e transformador para a nossa sociedade. Gostaríamos de convidar a todos para participarem do lançamento de alguns livros e assistirem à apresentação de Tiago Santos. Ele tem livros e vídeos, veio do Ceará especialmente para contribuir com o nosso congresso. Gostaríamos que todos pudessem prestigiálo. Que, nos próximos encontros possamos estar, cada vez mais, fortalecidos, para apresentarmos novas práticas da Psicologia.

Boa-noite


Acredito ser este um texto bem interessante e profiundo para nossa reflexão!!!!!!

Chamada para discutir atuação da mídia nacional

Psicólogos discutem atuação da mídia nacional
Mahantan Plaza Hotel, Brasília — DF Fonte: http://comunica.pol.org.br

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) pretende contribuir para a discussão sobre a mídia nacional, desvendar os mistérios que escondem a verdadeira face e os interesses dos veículos de comunicação. Para isso, promove entre os dias 23 a 25 de julho, em Brasília, o “Seminário preparatório para a Conferência Nacional de Comunicação: Contribuições da Psicologia”.

Os psicólogos do Judiciário estão convidados a contribuir com este debate. Hoje o Sindjus, várias entidades e movimentos sociais estão lutando pela realização da Conferência Distrital de comunicação, para ampliar a discussão sobre a mídia, reunir propostas e sugestões de toda a sociedade, dos movimentos engajados e levá-las para a I Conferência Nacional de Comunicação.

O Conselho Federal e Regionais de Psicologia tem grande interesse e luta pelo controle social da mídia, instrumento essencial para promoção de uma comunicação democrática no Brasil. Os meios de comunicação pautam o diálogo no relacionamento das pessoas, o Sistema Conselhos de Psicologia julga necessário um controle rigoroso desses veículos por parte da sociedade.

O principal objetivo do Seminário é preparar psicólogos para atuarem como delegados nas etapas da Conferência e também fortalecer e embasar as discussões de conteúdo na mesma.

Controle social e Psicologia

Achei bem interessante e auto explicativo o artigo que disponibilizarei a seguir... aproveitem a leitura!!!!!


Humanização e controle social: o psicólogo como ouvidor hospitalar

Humanization and social control: The psychologist as health ombudsman

Humanización y control social: El psicólogo como oyente de hospital

Denis Barros de Carvalho*,I; Janaína Macêdo Santana**,II; Vera Macêdo de Santana***,III

I Universidade Federal do Piauí
II Universidade Estadual do Piauí
III Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella

Endereço para correspondência


--------------------------------------------------------------------------------

RESUMO

Este artigo apresenta um ensaio sobre a prática do psicólogo como ouvidor hospitalar. Inicialmente, é avaliado o controle social no Sistema Público de Saúde (Conferências e Conselhos de Saúde, ouvidorias). O papel do ouvidor hospitalar no controle social no contexto da humanização do sistema de saúde é discutido a partir de um diálogo com autores da área da Saúde pública, das Ciências sociais e da Psicologia. Por humanização, entende-se a forma de assistência que valoriza a qualidade do cuidado do ponto de vista técnico e o reconhecimento dos direitos dos pacientes. Uma proposta de compreensão da ouvidoria hospitalar como um desafio para a Psicologia social da saúde é apresentada a partir de uma análise da produção teórica brasileira. Em seguida, discute-se uma experiência de trabalho de um psicólogo como ouvidor hospitalar. Ao fim, são apresentadas algumas sugestões a respeito do papel da Psicologia social no contexto da ouvidoria hospitalar como instrumento de controle social.

Palavras-chave: Ouvidoria hospitalar, Atuação do psicólogo, Humanização, Sistema de saúde.


--------------------------------------------------------------------------------

ABSTRACT

This paper presents an essay about the psychologist practice as health ombudsman. The social control (Health Councils, Health Conferences, Health Commissions) is initially evaluated. The role of the health ombudsman in social control in the context of humanization of the public health system is evaluated through a dialog with authors of the area of public health, social sciences and psychology. The humanization is a kind of assistance that gives importance to the technical quality association with recognition of the patient’s rights. A proposal of the comprehension of Health Commissions as a challenge for social health psychology is presented taking into account an analysis of the Brazilian theoretical production. After that, an experience of the psychologist’s work as health ombudsman is discussed in the end, and some suggestions about the role social psychology plays in the context of health ombudsman as social control instrument are presented.

Keywords: Health ombudsman, Psychologist performance, Humanization, Health care system.


--------------------------------------------------------------------------------

RESUMEN

Este artículo presenta un ensayo sobre la práctica del psicólogo como oyente de hospital. Inicialmente, es evaluado el control social en el Sistema Público de Salud (Conferencias y Consejos de Salud, servicio oyente). El papel del oyente de hospital en el control social en el contexto de la humanización del sistema de salud es discutido desde un diálogo con autores del área de la Salud pública, de las Ciencias sociales y de Psicología. Por humanización, se entiende la forma de asistencia que valora la calidad del cuidado del punto de vista técnico y el reconocimiento de los derechos de los pacientes. Una propuesta de comprensión del oyente de hospital como un desafío para la Psicología social de la salud es presentada desde un análisis de la producción teórica brasileña. Enseguida, se discute una experiencia de trabajo de un psicólogo como oyente de hospital. Al fin, son presentadas algunas sugerencias a respeto del papel de la Psicología social en el contexto de la oyente de hospital como instrumento de control social.

Palabras clave: Oyente de hospital, Actuación del psicólogo, Humanización, Sistema de salud.

Os estudos sobre controle social no campo da saúde têm se concentrado, acertadamente, na compreensão dos Conselhos como espaços de participação da sociedade civil na concepção e gestão de políticas públicas (Van Stralen et al., 2006). Criados pela Constituição Federal de 1988, os Conselhos Gestores de Políticas Públicas de caráter permanente e as conferências temáticas municipais, estaduais e nacionais propiciaram e sancionaram a participação de diversos atores sociais nos processos de tomada de decisão nos processos de formulação e gestão das políticas públicas. No caso do Campo da Saúde, a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, criou um sistema de conselhos em cada esfera de governo, composto da seguinte forma: representantes dos usuários (50% dos membros), trabalhadores (25%) e gestores (25%).


-----------------------------------------------------------------------------------------------

A questão da humanização e da qualidade dos serviços começou a aparecer a partir da XI Conferência Nacional de Saúde, intitulada Efetivando o SUS: Acesso, Qualidade e Humanização na Atenção à saúde com Controle Social, realizada no ano 2000. Alguns teóricos têm se dedicado a discutir o conceito de humanização, destacando-se os trabalhos de Ayres (2005) e Deslandes (2004, 2006). Em 1996, a X Conferência Nacional de Saúdeemitiu um parecer favorável à criação das ouvidorias no SUS. A XII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2003, apresentou algumas contribuições para a construção da política nacional de ouvidoria do SUS: criar e implementar, nas três esferas de governo, um processo de escuta contínua e de interlocução entre os usuários do SUS, por intermédio de serviços telefônicos gratuitos, desenvolver ampla pesquisa para avaliar a satisfação dos usuários e dos profissionais do SUS e utilizar o instrumento da ouvidoria para fortalecer o controle social e a gestão participativa. Infelizmente, essas propostas não foram implementadas.

A partir do final da década de 80, os psicólogos começam a ter uma inserção significativa no campo da saúde pública (Dimenstein, 1998). A produção teórica, contudo, parece ainda não dialogar com as questões do SUS e o desafio da interdisciplinaridade (Bucher, 2003; Spink, 2007). A Psicologia da saúde, campo em construção em nosso país, poderia subsidiar as reflexões e pesquisas dos psicólogos que desejam efetivamente não apenas dialogar com o SUS mas também contribuir para sua consolidação como um serviço universal, de qualidade e com controle social qualificado. Spink (1992), em um trabalho pioneiro, afirmava, no início da década de 90, que havia uma ausência de reflexões sobre o processo saúde/doença, sobre a configuração dos serviços de saúde e das profissões que atuam nesse contexto, como também sobre as políticas públicas de saúde e sobre as suas implicações em relação aos usuários. A autora propôs um modelo que descrevia as linhas de investigação pertinentes à explicação do processo saúde/doença, destacando três dimensões: a compreensão da doença como fenômeno coletivo, a construção do saber leigo e a interface entre o saber oficial e a representação da doença que prevalece ao longo do tempo e em diferentes grupos.

Nos seus trabalhos posteriores, Spink (2001, 2003; Bonciani & Spink 2003; Spink & Carvalheiro, 2002) desenvolveu uma série de pesquisas sobre a representação da AIDS, sobre os fundamentos teóricos da Psicologia da saúde, sobre a relação entre usuários e profissionais de saúde e a saúde como campo de pesquisa da Psicologia social, tornando-se uma referência obrigatória no campo da Psicologia da saúde. Uma questão apontada por ela na década de 90, que foi pouco investigada pela autora ou por outros pesquisadores da área, diz respeito à compreensão das implicações das políticas públicas da área para os usuários.

Recentemente, Spink e Matta (2007) discutiram os desafios da prática psicológica no contexto do SUS. Uma questão citada pelos autores foi a da humanização. De acordo com eles,

Os programas de humanização hospitalar que... resultaram na Política Nacional de Humanização apontam a necessidade de toda política e ação de saúde dever ter como eixo a humanização... Muitos psicólogos têm construído sua inserção nas unidades de saúde, contudo, muitas vezes, sem articulações com os princípios e diretrizes do SUS. Humanizar, no sentido proposto pelo Ministério da Saúde, é mais que reorganizar os espaços sanitários,é reorganizar os processos de trabalho, formar e qualificar trabalhadores, garantir os direitos e a cidadania dos usuários por meio do controle e da participação popular, é instituir práticas fundadas na integralidade. (p. 47)

O desafio de compreender o significado dos princípios da humanização propostos pelo SUS é também teórico, devendo ser respondido pela Psicologia da saúde produzido no contexto de nosso país. Alguns trabalhos já apresentam algumas contribuições significativas. Traverso-Yépez e Morais (2004) investigaram a forma como os usuários de saúde compreendem a situação em que desempenham o papel de pacientes, enfatizando os seguintes aspectos: 1) avaliação dos serviços recebidos; 2) consciência de seus direitos como pacientes e suas responsabilidades na melhoria dos serviços; 3) expectativas que possuíam em relação aos profissionais de saúde. Os resultados encontrados foram: inúmeras deficiências encontradas nos serviços de saúde e resignação e passividade por parte dos usuários em face do quadro encontrado. As autoras argumentam que a reconfiguração da relação profissionais/usuários é essencial para o processo de humanização das práticas da saúde. Uma questão deixada em aberto pelas pesquisadoras é a explicação dessa resignação e da passividade por parte dos usuários. Um motivo provável é a ausência de canais que permitam a expressão de suas queixas e que possam efetivamente oferecer respostas a elas. A ouvidoria seria esse canal.

Mota, Martins e Véras (2006) produziram outro trabalho que se centrou no papel do psicólogo no processo de humanização hospitalar, com a descrição dos princípios do SUS e a apresentação de algumas possibilidades para que o trabalho do psicólogo hospitalar possa efetivamente contribuir para o processo de humanização do hospital. Os autores, contudo, não reconhecem a ouvidoria como um espaço de atuação para o profissional de Psicologia no contexto do hospital.

O objetivo deste ensaio é contribuir, a partir da Psicologia da saúde, com uma compreensão do SUS como um espaço político em que o saber técnico permite uma forma específica do exercício da cidadania e no qual as ouvidorias possuem um grande potencial para a articulação do controle social e da humanização do serviço. Para isso, o trabalho se acha dividido em quatro seções: na primeira, discutem-se as formas de controle social no campo da saúde; na segunda, apresenta-se a especificidade da ouvidoria como forma de controle social no contexto da humanização do SUS, a ouvidoria hospitalar como questão para a Psicologia da saúde é o tema da terceira seção, e, finalmente, algumas reflexões sobre uma experiência de trabalho como ouvidor constituem a última seção. Nas considerações finais, apresentamos algumas sugestões para o aperfeiçoamento das ouvidorias e para novas investigações que possam lançar luz sobre o processo de humanização do SUS como um desafio para o trabalho dos psicólogos, tanto nos serviços de saúde como na Academia.


As formas de controle social e o campo da saúde

A reforma do setor de saúde no Brasil consignada na Constituição de 1988 tem seu eixo central na democratização dos serviços mediante o controle social do sistema. Vários mecanismos institucionais de participação da sociedade no controle do SUS foram criados ou reformulados. Vázquez et al. (2005) classificam essas instituições em dois tipos: coletivos e individuais. Os mecanismos institucionais coletivos seriam as Conferências e os Conselhos, enquanto as ouvidorias seriam os mecanismos de controle individual. Outra maneira de classificar esses mecanismos seria entendê-los a partir de variáveis dimensionais e funcionais. As Conferências e os Conselhos seriam macroestruturas de controle, caracterizadas pelos seguintes elementos: forma de participação coletiva e planejamento e gestão das políticas em nível abstrato. As ouvidorias seriam microestruturas de controle, caracterizadas por formas de participação individual e execução das políticas e nível local de ação.

Os estudos sobre o controle social estão concent rados nas macroes t ruturas , principalmente nos Conselhos (Costa, 2004; Gerschman, 2004; Guizardi & Pinheiro, 2006; Guizardi et al., 2004; Liporoni, 2006; Macedo, 2005; Pedrosa, 1997; Sposati & Lobo, 1992; Van Stralen et al., 2006; Vázquez et al., 2005). A macroestrutura mais antiga de controle social, porém, é a Conferência Nacional de Saúde, que foi criada pela Lei nº 378, de 13 de janeiro de 1937, que determinou que as Conferências deveriam ocorrer de dois em dois anos. A I Conferência Nacional, realizada em 1941, não contou com participação social, o que se repetiria em todas as sete primeiras conferências.

Ocorrida em 1986, no contexto da reforma sanitária, a VIII Conferência Nacional de Saúde se tornou um marco no processo de democratização e controle social do sistema de saúde brasileiro. A etapa nacional foi precedida por Pré-Conferências estaduais para a discussão da temática e da escolha dos delegados. Os Estados realizaram suas pré-conferências, e em vários ocorreram pré-conferências municipais. Tal estratégia acabou gerando as Conferências Estaduais e Municipais de Saúde, que seriam incorporadas posteriormente na legislação do SUS (Krüger, 2005). A VIII Conferência não obedeceu aos padrões da Lei nº 378, de 1937, e antecipou a configuração que seria dada às conferências nacionais pela Lei nº 8.142, de 1990. Nessa Conferência, a saúde é definida com um conceito amplo; o direito à saúde é afirmado como uma conquista social que se efetiva na participação da população na organização, gestão e controle dos serviços e ações de saúde. O controle social é, portanto, definido como uma das formas de participação da população.

A IX Conferência Nacional aconteceu em agosto de 1992, depois de vários adiamentos realizados a partir de 1990, e o tema central foi: Saúde – Municipalização é o Caminho. Nessa conferência, de acordo com Guizardi et al. (2004), o projeto de participação desenhado na VIII Conferência foi restrito ao conceito de controle social, com ênfase na criação e no funcionamento dos Conselhos de Saúde. Essa tendência de centralizar o controle social na institucionalização dos Conselhos se acentua na X Conferência, cujo tema foi SUS: Construindo um modelo de Atenção à Saúde para a Qualidade de Vida. Realizada em 1996, essa conferência também esboçou a necessidade de novas formas de participação.

A XI Conferência realizou-se em 2000, e teve como tema central o seguinte: Efetivando o SUS: Acesso, Qualidade e Humanização na Atenção à Saúde com Controle Social. Uma avaliação dos Conselhos e das Conferências de Saúde foi apresentada, assim, como diretriz para a sua organização. Inúmeras sugestões de espaços institucionais para o fortalecimento da participação social no controle das políticas e da gestão do SUS foram apresentadas, com destaque para câmaras técnicas, comissões temáticas, plenárias municipais, estadual e nacional de conselheiros, Conselhos Regionais e Distritais de saúde, fóruns de representação por segmentos, a criação de conselhos municipais e estaduais da cidadania, a criação de um conselho intersetorial e a instituição de ouvidorias, como já mencionamos.

A XII Conferência foi realizada por convocação extraordinária, em 2003, e teve como tema central Saúde: um Direito de Todos e um Dever do Estado – a Saúde que Temos, a Saúde que Queremos. A plenária da Conferência aprovou estratégias para a mobilização social, tais como o fortalecimento dos Conselhos de Saúde nas três esferas de governo e a implementação de uma política de ouvidorias do SUS com vários canais para que a população possa acessar para reclamar, apresentar sugestões e receber informações.

As pesquisas sobre os Conselhos de Saúde apontam uma dificuldade para a compreensão do que seja controle social (Gerschman, 2004), o pouco impacto que os Conselhos produzem na reestruturação dos serviços de saúde (Van Stralen et al., 2006), a dificuldade de os representantes dos usuários efetivamente participarem dos Conselhos, superando uma prática política formal de referendar as propostas do gestor (Guizardi & Pinheiro, 2006), o desconhecimento da população acerca da existência dos Conselhos de Saúde e a incapacidade dos conselheiros de recolher e expressar os interesses da população que representam (Vázquez et al., 2005). Isso não significa que os Conselhos sejam inviáveis como espaços de construção do controle social. Somente a luta pelo controle efetivo e uma participação informada e representativa dos conselheiros poderá, de fato, transformar os Conselhos em territórios de constituição popular das políticas públicas de saúde.



A especificidade da ouvidoria como forma de controle social no contexto da humanização do SUS

A XII Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2003, propôs a criação de uma política nacional de ouvidorias do SUS para as três esferas de governo, com a aprovação dos respectivos Conselhos e com a garantia de recursos humanos e financeiros para a sua implementação nos Estados e Municípios. O objetivo dessa política deve ser ampliar os canais de participação da população no controle social do SUS.

O Glossário Temático Ouvidoria do SUS, publicado pelo Ministério da Saúde, em 2007, assim define Ouvidoria do SUS:

Canal de comunicação entre a população e o Sistema Único de Saúde (SUS) para o acolhimento de manifestações e busca de soluções e informações sobre os serviços de saúde pública... i) A Ouvidoria do SUS é um serviço de mediação entre o demandante e as áreas competentes pela resolução da demanda. ii) Constitui-se em um instrumento de participação social e de apoio à gestão democrática para melhorias do Sistema Único de Saúde. (Ministério da Saúde, 2007, p. 33)

As ouvidorias são microestruturas institucionais de controle social nas quais a ação individual é priorizada juntamente ao nível local, tendo na figura do ouvidor um mediador das demandas produzidas pelos usuários dos serviços.

No nível federal, o Decreto n º 4.726, de 9 de junho de 2003, criou a Ouvidoria Geral do SUS, tendo como um dos seus objetivos propor, coordenar e implementar a política nacional de saúde. Um dos elementos constituintes dessa política é a elaboração de diretrizes e de princípios de funcionamento do Sistema Nacional de Ouvidorias do SUS. Esse sistema deverá ter como parâmetros para a sua atuação alguns programas do Ministério da Saúde, tais como o QualiSUS, que estabelece a criação de ouvidorias em todos os hospitais e postos de saúde do programa, e a Política Nacional de Gestão Participativa (ParticipaSUS), que busca incentivar a participação popular na gestão do SUS.

As ouvidorias devem ser organizadas de modo a obedecerem aos princípios do SUS. Esses princípios seriam os seguintes:

a) universalidade: as ouvidorias devem estar estruturadas de modo que possam atender, de modo gratuito, as demandas de todo cidadão;

(b) integralidade: as demandas dos usuários devem receber atenção em todas as fases do processo, a saber: recebimento, encaminhamento, acompanhamento e resolutividade;

(c) eqüidade: as ouvidorias devem desenvolver estratégias de acolhimento que permitam o atendimento de todas as demandas recebidas;

d) descentralização: implantar as ouvidorias nas secretárias estaduais, municipais e nos serviços de saúde, com a definição das competências de cada uma;

e) regionalização: disponibilizar ouvidorias em cada região sanitária, seja em cidadespólo, seja em distritos sanitários;

f) hierarquização: as ouvidorias devem seguir a mesma lógica hierárquica do SUS, considerando as necessidades regionais;

g) participação da comunidade: as ouvidorias devem garantir às comunidades o recebimento de suas manifestações assim como possibilitar a sua participação na avaliação dos resultados obtidos a partir da leitura das demandas.

O Sistema Nacional de Ouvidorias trabalhará as demandas colocadas pelos usuários do SUS, a dimensão coletiva da sociedade na forma questões de saúde e a dimensão individual na forma de acolhimento do usuário de modo efetivo. Assim, a ouvidoria é um instrumento de promoção de cidadania na saúde e de acolhimento do usuário, atividade essencial no processo de humanização do SUS.

A XI Conferência Nacional de Saúde colocou o tema da humanização na atenção à saúde com controle social. Em 2000, o Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar (PNHAH) iniciou ações nos hospitais para a criação de comitês de humanização voltados para a melhoria na qualidade da atenção aos usuários. Posteriormente, o programa foi ampliado e passou a ser denominado de Política Nacional de Humanização da Atenção e da Gestão na Saúde (PNH).

A humanização, tanto na atenção hospitalar quanto na política de atenção à saúde, tem sido objeto de diversos estudos (Almeida, 2007; Ayres, 2004, 2005; Backes, Lunardi, & Lunardi Filho, 2006; Benevides & Passos, 2005a, 2005b; Boaretto, 2004; Campos, 2004; Campos, 2005; Casate & Côrrea, 2005; Deslandes, 2004, 2006; Freitas, 2007; Gastado, 2005; Goldenstein, 2006; Gonçalves, 2007; Lucato, 2005; Medeiros, 2004; Minayo, 2004; Mota et al., 2006; Oliveira, Collet, & Vieira, 2006; Puccini, & Cecilio, 2004; Santos Filho, 2007; Silva, 2006; Teixeira, 2005; Traverso-Yépez & Morais, 2004; Vaistman & Andrade, 2006).

Deslandes (2004), analisando os textos Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (Ministério da Saúde, 2001) e o Manual do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar(Ministério da Saúde, 2000), descortina três eixos discursivos na Política Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar: 1) humanização como oposição à violência; 2) humanização como capacidade de oferecer um atendimento de qualidade; 3) humanização como melhoria das condições de trabalho do cuidador; 4) humanização como ampliação do processo comunicacional. A violência se expressa de duas formas: física ou psicológica, como maus-tratos, e simbólica, pela não compreensão das demandas e expectativas. A violência simbólica somente será superada com a implementação de uma nova cultura de atendimento, caracterizada por uma relação de diálogo entre usuários, profissionais e gestores. Um atendimento de qualidade se sustenta em uma alta tecnologia e em uma “tecnologia leve”, que diz respeito a questões de produção de vínculos, acolhimentos e autonomização (Mehry et al., 1997).

Uma questão central nesse processo é o desenvolvimento de uma “nova cultura de acolhimento” baseada nos valores da solidariedade e da alteridade, o que pressupõe que se conheça esse outro, suas expectativas, representações e práticas. Deslandes (2004) indaga a respeito dos mecanismos existentes que permitem a livre expressão dos usuários, afirmando que nada além dos espaços formais das ouvidorias se encontra disponível. Podemos questionar se o espaço da ouvidoria é necessariamente formal ou se ele pode se tornar um instrumento facilitador das verbalizações das demandas dos usuários, o que será discutido na próxima seção.


A ouvidoria hospitalar como questão para a Psicologia da saúde

Traverso-Yépez (2001), discutindo a interface Psicologia social e saúde, chama a atenção para a importância da dimensão dialógica da relação profissional de saúde-paciente. A ouvidoria hospitalar, do nosso ponto de vista, configura-se como uma questão que entrelaça o controle social com a temática da relação profissional-paciente.

A relação profissional saúde-paciente, quando ocorre com alguma dificuldade, gera o denominado “baixo comprometimento do paciente com seu tratamento”. Os profissionais de saúde têm dificuldade de compreender esse comprometimento baixo (Traverso- Yépez & Morais, 2004), mas as reclamações e críticas recebidas pelas ouvidorias e a baixa resolutividade revelam uma falência do modelo de assistência. Necessário se faz considerar a subjetividade dos usuários para melhor entendimento das condições necessárias para um comprometimento consciente, crítico e informado por parte dos pacientes em relação à assistência que lhes é prestada pelos serviços de saúde.

Essa dimensão subjetiva encontra-se apenas esboçada nos estudos sociológicos sobre ouvidoria hospitalar (Pereira, 2002). O estudo das ouvidorias apoiado nos conceitos de poder disciplinar e tecnologias de si, de Foucault (1990, 1996), destacam uma série de questões relevantes que a Psicologia social da saúde deveria investigar.

O trabalho pioneiro de Pereira (2002) indica que essas questões são o resultado de um bem conduzido estudo empírico. Para a socióloga gaúcha, as ouvidorias hospitalares promovem, concomitantemente, o envolvimento e o disciplinamento dos usuários. A autora afirma que há dois projetos de ouvidorias: no primeiro, enquanto micropolítica vinculada ao projeto neoliberal de alteração do sistema de saúde, a ouvidoria funciona como uma forma de gerenciamento, visando a otimizar a relação custo/benefício dos serviços hospitalares em uma lógica de mercado; no segundo, consoante com os princípios do SUS, a ouvidoria serve como um canal que assegura aos usuários o direito de terem suas vozes ouvidas pela instituição, promovendo uma micropolítica de controle social. A ouvidoria hospitalar possui um potencial de transformação da instituição hospitalar, carecendo para isso de maior transparência em sua gestão. A definição de um mandato para o ouvidor por um período determinado e a instituição de mecanismos mais democráticos de escolha (atualmente, os ouvidores são, na maioria, nomeados pelo diretor do hospital) ajudariam na potencialização da ouvidoria hospitalar como um instrumento de controle social. Pereira (2002) elaborou o conceito de ouvidoria eficaz, que teria as seguintes características: acolhida da reclamação dos usuários como uma consulta, incentivando-os a registrar suas demandas e a discutir sua implementação com os trabalhadores de saúde, envolvendoos no projeto. Em suas palavras,

Para que a ouvidoria possa atingir plenamente seus objetivos, o de ser um canal para ouvir a voz do cidadão, é necessário que tenha uma estrutura na qual a pessoa que é responsável tenha respaldo institucional, e não só da direção. Que a comunidade toda assuma a ouvidoria como um projeto institucional e a reclamação como uma questão eminentemente social e não apenas individual. Isso porque... as reclamações apontam relações sociais muitas vezes imperceptíveis aos olhos de quem as experiência. Agindo dessa forma, as ouvidorias hospitalares amplificariam a voz dos usuários, propiciando uma melhoria da qualidade de atendimento nessas instituições. (p. 113)


O psicólogo como ouvidor: reflexões sobre uma experiência

No Piauí, a história da humanização no campo de saúde vincula-se à implementação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHA), em 2001. O programa selecionou, na sua 1ª etapa, o Hospital Regional Justino Luz, localizado na cidade de Picos, como sede da experiênciapiloto. Na segunda etapa, iniciada em 2002, o programa foi implantado em outros sete hospitais, dentre os quais o Instituto de Doenças Tropicais Dr. Nathan Portela. O processo se consolidou institucionalmente com a criação de um Grupo de Trabalho de Humanização (GTH). Ainda em 2002, é criada a Comissão Estadual de Humanização da Assistência Hospitalar e realizada uma pesquisa sobre a satisfação de usuários e profissionais nos oitos hospitais integrantes do PNHA.

Em 2003, o Comitê Gestor do Programa Estadual de Humanização da Assistência Hospitalar é criado através de Portaria da Secretaria de Saúde do Estado do Piauí. Em 2005, a política Estadual de Humanização da Atenção e da Gestão da Saúde do Piauí foi aprovada. Entre as ações estratégicas definidas pela Política, há uma proposta de criação e/ou fortalecimento de ouvidorias nos estabelecimentos de saúde, com o objetivo de fortalecer o controle social.

O primeiro hospital do Piauí a implantar uma ouvidoria foi o Instituto de Doenças Tropicais Nathan Portela. Criado em 1973, o Hospital de Doenças Infecto-contagiosas (HDIC) começou a funcionar no início de 1974, com uma grande epidemia de meningite, que exigiu local especializado para atender o grande contingente de enfermos. Em 16 de fevereiro de 2000, o HDIC teve sua denominação alterada para Instituto de Doenças Tropicais Nathan Portella (IDTNP). Em 13 de setembro de 2004, era implantada a ouvidoria do IDTNP e instituído o Conselho de Ouvidoria, composto por 13 membros indicados por diversos órgãos de representação do Estado do Piauí. A primeira ouvidora foi a psicóloga Delfina Carvalho, que foi substituída posteriormente pela também psicóloga Vera Lúcia Macêdo Santana, que permaneceu no período de 2005-2006 na instituição. A direção do Hospital definiu, informalmente, que a coordenação da ouvidoria deveria ser ocupada por um profissional da Psicologia.

A Ouvidoria do IDTNP recebe a demanda dos usuários através dos seguintes meios: formulários elaborados pela Ouvidoria, endereço eletrônico, telefone, caixas de sugestões e comunicação verbal. O funcionamento ocor re da seguint e maneira: cada manifestação é examinada preliminarmente para decisão acerca de sua admissibilidade, verificando-se a pertinência da manifestação. Em alguns casos, os problemas são resolvidos de imediato; em outras ocorrências, há comunicação para os setores competentes para que os mesmos tomem conhecimento, adotem as providências necessárias e esclareçam as questões suscitadas. As informações fornecidas pelos setores e os procedimentos adotados ficam disponíveis para os usuários na sala da Ouvidoria, sendo posteriormente arquivadas.

O trabalho do ouvidor apresenta alguns desafios por ser, ao mesmo tempo, um canal de comunicação entre usuários, profissionais e gestores e também pelo fato de possuir características de mediação. No trabalho realizado na Ouvidoria do IDTNP, ocorre a seguinte configuração das manifestações: predominantemente escrita, apresenta um número significativo de elogios e tem como principal reclamação o mau atendimento, além de queixas sobre desconforto ambiental, serviço de limpeza e serviço de nutrição.

Haveria uma contradição entre o trabalho do psicólogo no hospital e o trabalho de ouvidor? Certamente as tarefas são distintas, mas, se consideramos que a Psicologia, no Hospital, ao contrário do que afirmam Mota, Martins e Véras (2006), não consiste apenas em lidar com os sentimentos dos pacientes, é possível conceber algumas convergências entre as duas funções. O psicólogo não deve se restringir a trabalhar com os usuários dos serviços de saúde, mas deve também desenvolver atividades com a equipe de profissionais e demais funcionários desses serviços. O psicólogo no contexto da saúde, assim como o ouvidor, deve também trabalhar com informações. Rozemberg, Silva e Vasconcelos- Silva (2002), a partir de entrevistas com profissionais de um hospital do Rio de Janeiro, avaliaram um conjunto de pressupostos, estratégias, preocupações e racionalidades dos profissionais que produziram mensagens impressas sobre doenças infecciosas. A maioria das produções revelou possuir uma lógica linear de comunicação, na qual uma mensagem necessariamente produz um único e só efeito. A pesquisa revelou que os impressos produzidos apresentavam simplificações e generalizações sobre as dúvidas e os questionamentos mais comuns dos pacientes, em função da inexistência de pesquisas prévias com esses usuários. A interação com a clientela aparece como exceção, ocorrendo em apenas duas das produções analisadas. Os autores concluem que existe a ausência de uma política de comunicação regular e saudável dentro das instituições de saúde. A criação dessa política deve, necessariamente, passar por uma ampla discussão envolvendo os usuários dos serviços de saúde. As ouvidorias poderiam desempenhar um papel pró-ativo no controle social, e os psicólogos poderiam ir além dos sentimentos para lidarem com o ser humano na sua integralidade. O trabalho de ouvidoria no IDTNP envolveu a produção de um folder explicativo sobre as funções da Ouvidoria e como utilizá-la, como também a participação da ouvidora, em parceria com o serviço social, na elaboração de um Manual dos Direitos e Deveres do Paciente.

A experiência de trabalho em uma ouvidoria pode ser de grande importância para produzir um distanciamento crítico em relação ao papel tradicional do psicólogo no contexto da saúde e nos processos de humanização. Relacionar humanização e controle social é algo impositivo no trabalho da ouvidoria, mas quase sempre estão desvinculadas no trabalho do psicólogo no contexto hospitalar (Almeida, 2000; Fossi & Guareschi, 2004; Marcon, Luna, & Lisboa, 2004; Tonetto & Gomes, 2007). Tal quadro talvez se relacione com a formação da área de Psicologia hospitalar em nosso país, em contraste com uma Psicologia da saúde, área mais abrangente e diversificada e que se estruturou em outros países. A Psicologia hospitalar é uma peculiaridade brasileira (Castro & Bornholdt, 2004), sendo marcada pela hegemonia de um conceito subjetivista e individualista do ser humano.

Apesar disso, é possível perceber a contribuição de outros saberes para o trabalho do psicólogo no contexto hospitalar. O trabalho de Maia (2006), que utiliza a análise institucional, mostra como a demanda institucional chega ao psicólogo hospitalar mediada pela interconsulta médica, que busca adaptar a prática do psicólogo a uma lógica institucional de caráter normatizador e disciplinador. Uma estratégia diferente seria pesquisar como os psicólogos avaliam o papel da ouvidoria, comparando o que pensam os psicólogos hospitalares com as opiniões de psicólogos que exercem ou exerceram a função de ouvidores.



Considerações finais

O processo de humanização do sistema de saúde passa necessariamente, como bem colocou o tema da X Conferência Nacional de Saúde, pelo controle social. As macroestruturas de controle social, Conferências e Conselhos, não permitem o enfrentamento dos mecanismos de normatização e de exclusão da cidadania que ocorrem no nível das micropolíticas de saúde, engendradas no interior das várias instituições do SUS. Necessário se faz construir microestruturas de controle social, e as ouvidorias possuem um grande potencial para ocuparem essa função. O desafio de compreender essa dimensão das microestruturas no contexto da saúde permanece como um caminho inexplorado pela Psicologia social da saúde no Brasil, com exceção de alguns trabalhos, com destaque para os produzidos por Traverso-Yépez (2001, 2004). As ouvidorias, no contexto das instituições de saúde, entretanto, ainda não receberam nenhuma atenção dos estudiosos da Psicologia social.

No contexto hospitalar, as ouvidorias apresentam um duplo desafio para a Psicologia social da saúde: compreender a micropolítica da instituição hospitalar, que tende a desenvolver uma prática disciplinadora incompatível com o exercício da cidadania, e a instituição da ouvidoria como instância em que uma micropolítica de controle social pode ser desenvolvida, de um lado, e, por outro, oferecer subsídios teóricos para a capacitação de ouvidores, compreendendo a dimensão política do trabalho na saúde, em contraposição a uma Psicologia da saúde centrada nos “sentimentos”.



Referências

Almeida, D. V. (2007). O ensino da humanização nos currículos de graduação em enfermagem. Dissertação de Mestrado, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Almeida, E. (2000). O psicólogo no hospital geral. Psicologia: Ciência e Profissão, 20(3), 24-27.

Ayres, J. R. (2004). Humanização da assistência hospitalar e o cuidado como categoria reconstrutiva. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 15-17.

Ayres, J. R. (2005). Hermenêutica e humanização das práticas de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 549-560.

Backes, D., Lunardi, V., & Lunardi Filho, W. (2006). A humanização hospitalar como expressão da ética. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 14(1), 132-135.

Benevides, R., & Passos, E. (2005a). A humanização como dimensão pública das políticas de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 561-571.

Benevides, R., & Passos, E. (2005b). Humanização na saúde: um novo modismo? Interface, 9(17), 389-394.

Boaretto, C. (2004). Humanização da assistência hospitalar: o dia a dia da prática dos serviços. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 20-22.

Bonciani, R. D., & Spink, M. J. (2003). Morte por AIDS ou morte materna: a classificação da mortalidade como prática social.Cadernos de Saúde Pública, 19(2), 645-652.

Bucher, J. S. (2003). Psicologia da saúde no contexto da saúde pública: uma complexidade crescente. In O. Yamamoto & V. Gouveia (Orgs.), Construindo a psicologia brasileira: desafios da ciência e prática psicológica (pp. 213-239). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Campos, G. W. S. (2005). Humanização na saúde: um projeto em defesa da vida? Interface: Comunicação, Saúde, Educação, 9(17), 398-400.

Campos, R. (2004). Mudando os processos de subjetivação em prol da humanização da assistência. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 23-25.

Casate, J., & Corrêa, A. K. (2005). Humanização do atendimento em saúde: conhecimento veiculado na literatura brasileira de enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 13(1), 105-111.

Castro, E., & Bornholdt, E. (2004). Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: definições e possibilidades de inserção profissional. Psicologia: Ciência e Profissão, 24(3), 48-57.

Costa, A. M. (2004). Conselhos gestores de políticas públicas: entre a ampliação dos direitos sociais e a legitimação das decisões governamentais. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

Deslandes, S. (2004). Análise do discurso oficial sobre a humanização da assistência hospitalar. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 7-14.

Deslandes, S. (2006). Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas. Rio de Janeiro: FIOCRUZ.

Dimenstein, M. (1998). O psicólogo no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS): perfil profissional e perspectivas de atuação nas Unidades Básicas de Saúde. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Fossi, L., & Guareschi, N. (2004). A Psicologia hospitalar e as equipes multidisciplinares. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, 7(1), 29-43.

Foucault, M. (1990). Tecnologias del Yo y otros textos afines. Barcelona: Siglo Ventiuno.

Foucault, M. (1996). Vigiar e punir. Petrópolis, RJ: Vozes.

Freitas, B. (2007). O assistente social na assistência hospitalar e o desafio da humanização: reflexões sobre a dimensão intersubjetiva da prática profissional. Rio de Janeiro: PUC.

Gastado, D. (2005). Humanização como processo conflitivo, coletivo e contextual. Interface, 9(17), 395-397.

Gerschman, S. (2004). Conselhos Municipais de Saúde: atuação e representação das comunidades populares. Cadernos de Saúde Pública, 20(6), 1670-1681.

Goldenstein, E. (2006). Um estudo preliminar sobre humanização hospitalar: dando voz a médicos de UTI pediátrica sobre suas vivências em um hospital humanizado. São Paulo: PUC.

Gonçalves, M. (2007). Políticas de humanização e o direito à saúde no Rio Grande do Sul. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

Guizardi, F. L., & Pinheiro, R. (2006). Dilemas culturais, sociais e políticos da participação dos movimentos sociais nos Conselhos de Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 11(3), 797-805.

Guizardi, F. L., Pinheiro, R., Mattos, R. A., Santana, A. D., Matta, G., & Gomes, M. C. P. A. (2004). Participação da comunidade em espaços públicos de saúde: Uma análise das conferências nacionais de saúde. PHYSIS: Revista de Saúde Coletiva, 14(1), 15-39.

Krüger, T. R. (2005). Os fundamentos ideo-políticos das Conferências Nacionais de Saúde. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Pernambuco, Recife: UFPE.

Liporoni, A. A. R. C. (2006). O Conselho Municipal de Saúde de Franca: estudo sobre a participação e o controle social. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.

Lucato, M. C. (2005). A humanização das relações assistenciais no Código de Ética Odontológica – Resolução CFO n.42/2003. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Macedo, L. C. (2005). Participação e controle social na área de saúde: uma revisão bibliográfica. Dissertação de Mestrado, Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.

Maia, S. M. (2006). A interconsulta psicológica no hospital geral: uma demanda institucional. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Belo Horizonte, Belo Horizonte.

Marcon, C., Luna, I., & Lisboa, M. (2004). O psicólogo nas instituições hospitalares: características e desafios. Psicologia: Ciência & Profissão, 24(1), 28-35.

Medeiros, L. (2004). Humanização hospitalar, ambiente físico e relações assistenciais: a percepção de arquitetos especialistas. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal.

Mehry, E. E., Chakkour, M., Stéfano, E., Santos, C. M., Rodrigues, R. A., & Oliveira, P. C. P. (1997). Em busca de ferramentas analisadoras das tecnologias em saúde: a informação e o dia a dia de um serviço, interrogando e gerindo trabalho em saúde. In E. E. Mehry & R. Onocko (Orgs.), Agir em saúde: um desafio para a saúde pública (pp. 113-150). São Paulo: Hucitec.

Minayo, M. (2004). Dilemas do setor saúde diante de suas propostas humanistas. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 17-20.

Ministério da Saúde. (2000). Manual do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília, DF: Autor.

Ministério da Saúde. (2001). Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília, DF: Autor.

Ministério da Saúde. (2007). Glossário temático: ouvidoria do SUS. Brasília, DF: Autor.

Mota, R., Martins, C., & Véras, R. (2006). Papel dos profissionais de saúde na política de humanização hospitalar. Psicologia em Estudo, 11(2), 323-330.

Oliveira, B., Collet, N., & Vieira, C. (2006). A humanização na assistência à saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 14(2), 277-284.

Pedrosa, J. I. (1997). A construção do significado de controle social com conselheiros de saúde no Piauí, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 13(4), 741-748.

Pereira, L. H. (2002). A voz do usuário no sistema hospitalar: ouvidorias. Sociologias, 4(1), 82-121.

Puccini, P., & Cecílio, L. C. (2004). A humanização dos serviços e o direito à saúde. Cadernos de Saúde Pública, 20(5), 1342-1353.

Rozemberg, B., Silva, A., & Vasconcellos-Silva, P. (2002). Impressos hospitalares e a dinâmica de construção de seus sentidos: o ponto de vista dos profissionais de saúde. Cadernos de Saúde Pública, 18(6), 1685-1694.

Santos Filho, S. (2007). Perspectivas da avaliação na Política Nacional de Humanização em Saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Ciência & Saúde Coletiva, 12(4), 999-1010.

Silva, G. S. N. (2006). A construção do “ser médico” e a morte: significados e implicações para a humanização do cuidado. Tese de Doutorado, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Spink, M. J. (1992). Psicologia da saúde: a estruturação de um novo campo de saber. In. F. Campos (Org.), Psicologia e saúde: repensando práticas (pp. 11-23). São Paulo: Hucitec.

Spink, M. J. (2001). A construção da AIDS - notícia. Cadernos de Saúde Pública, 17(4), 851-862.

Spink, M. J. (2003). Psicologia social e saúde: práticas, saberes e sentidos. Petrópolis, RJ: Vozes.

Spink, M. J. (2007). (Org.). A psicologia em diálogo com o SUS: prática profissional e produção acadêmica. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Spink, M. J., & Carvalheiro, J. R. (2002). Os múltiplos sentidos das vacinas para a Aids. Psicologia USP, 13(1), 79-106.

Spink, M. J., & Matta, G. (2007). A prática profissional Psi na saúde pública: configurações históricas e desafios contemporâneos. In M. J. Spink (Org.), A Psicologia em diálogo com o SUS: prática profissional e produção acadêmica (pp. 25-51). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Sposati, A., & Lobo, E. (1992). Controle social e políticas de saúde. Cadernos de Saúde Pública, 20(6), 1670-1681.

Teixeira, R. (2005). Humanização e atenção primária à saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 585-597.

Tonetto, A., & Gomes, W. (2007). A prática do psicólogo hospitalar em equipe multidisciplinar. Estudos de Psicologia (Campinas), 24(1), 89-98.

Traverso-Yépez, M. (2001). A interface psicologia social e saúde: perspectivas e desafios. Psicologia em Estudo, 6(2), 49-56.

Traverso-Yépez, M., & Morais, N. (2004). Reivindicando a subjetividade dos usuários da Rede Básica de Saúde: para uma humanização do atendimento. Cadernos de Saúde Pública, 20(1), 80-98.

Vaitsman, J., & Andrade, G. (2006). Satisfação e responsividade: formas de medir a qualidade e a humanização da assistência à saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 10(3), 599-613.

Van Stralen, C. J., Lima, A. M. D., Fonseca Sobrinho, D., Saraiva, L. E. S., Van Stralen, T. B. S., & Belisário, S. A. (2006). Conselhos de Saúde: efetividade do controle social em Municípios de Goiás e Mato Grosso do Sul. Ciência & Saúde Coletiva, 11(3), 621-632.

Vázquez, M. L., Silva, M. R. F., Gonzalez, E. S. C., Diniz, A. S., Pereira, A. P. C., Veras, I. C. L. et al. (2005). Nível de informação da população e utilização dos mecanismos institucionais de participação social em saúde em dois Municípios do Nordeste do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 10(Supl.), 141-155.